11 abril 2018

Só mais cinco minutos. Preciso de seu calor. Do seu abraço hospitaleiro, que não me deixa seguir. Que me impede de levantar, e fugir. Meu coração se aquieta ao seu lado. Sua calmaria me faz bem. Já te disseram que você tem uma energia boa, que cativa. A serenidade que percorre os lençóis emaranhados, só me fazem ter certeza de que sou sua.

Não tem porque partir, o sol ainda não nasceu. Deite aqui, volte a se perder comigo, se perca em mim. Não deixe que a calidez dos lençóis se esvaeça e se torne calmaria. Neste mundo somos somente eu e você, não há nada que nos espere lá fora e não há espaço para mais ninguém, esse emaranhado é só nosso, esse infinito é só meu.

Existe um mundo inteiro a ser descoberto em seu olhar. Volta, deixe-me desvendar seu cheiro, uma nota de cada vez. Sua voz me acalma, me segura no lugar. Só mais um minuto. Com um simples olhar, um suspiro que me toma por inteira, detalhando minuciosamente cada parte do meu corpo. Com um simples suspiro, sinto sua energia me cativando.

A cumplicidade renasceu em seus braços, os temores antigos partiram. Meu corpo tem um encaixe perfeito em seu peito, nossas mãos se entrelaçam, se tornam intimas e desfrutam, de nossas almas. O tempo para, mas passa em segundos. Um presente paradoxal das noites quentes, feita para os amantes poderem brindar e brincar. Sua respiração acelerada faz com que meu corpo queime, te desejando incansavelmente e desesperadamente. Fica, não vá.

Temos a vida inteira para decidirmos em quais papeis queremos atuar, aqui nesse quarto escuro só existe o universo de intimidade que nós criamos. Não deixe que o pensamento infortuno atrapalhe a nossa aventura. Não vá embora. Não me deixe partir, me pegue em seus braços e me guie de volta para o nosso mundo. Não tenha medo de falar. Diga que quer que eu fique, não deixe as dúvidas separem os nossos corpos.

Com o uivar do vento lá fora, sua decisão de partir sai sozinha pela porta, enquanto seus dedos acariciam meu cabelo, e me deixa inquieta. Com um olhar fraco e respiração entrecortada, você sabe que sua sanidade se perderá em meus braços. Só basta um olhar para saber que é aqui que quero ficar. Sua alma me convida para passar a noite. Seria prudente respirar o ar lá fora, no entanto é em seus pulmões que vejo o mistério que anseio descobrir. Que me nutre, me acalma, venha e seja meu ar. Me guie nesse desalinhado de corpos em nossa cama, me ensine a amar. Fica, se acomode, e acabe com o caos que é a minha mente quando está distante de mim.

Não vá, quero que essas palavras sejam as últimas que saem de minha boca. Quero que cale meus pensamentos com seus lábios. Te quero que mal consigo respirar. Meu corpo fala por si só. Venha ser meu, nem que seja por uma noite. Quero sentir suas mãos em volta de meu corpo, me segurando com toda vontade do mundo, quero ser mulher mais uma vez e quero que você seja o homem.

Só mais cinco minutos. Preciso de seu calor. Do seu abraço hospitaleiro, que não me deixa seguir. Que me impede de levantar, e fugir. Meu coração se aquieta ao seu lado. Sua calmaria me faz bem. Já te disseram que você tem uma energia boa, que cativa. A serenidade que percorre os lençóis emaranhados, só […]

Leia mais

escrito por

Escrito por: Gabriela Modolo e Gwydian Verissimo



3 abril 2018

Naquela mesa, sentada, vendo a vida passar por seus olhos, olhava através da janela do seu quarto, ouvindo o vento cantar, o sol bater e queimar. Sentada, via o mundo girar com velocidade máxima, com ânsia de vida. Seu coração batia forte, acelerado, assim como sua mente. Pensava em mil ideias, em mil projetos e em mil sonhos do futuro. A expectativa era grande, a aposta também. O futuro teria que ser brilhante.

Sonhava acordada, com os dias do amanhã. Criava diálogos, personagens, viagens, roteiros, amores, cheiros. Mas continuava sentada atrás de uma mesa laranja. Pensava que estava ficando louca, pois ninguém deixava a imaginação tomar conta dessa maneira. Em vez de viver, sonhava com a vida. Não tinha coragem de se levantar e encara-la. O dia a dia no mundo real a matava rapidamente, pois tudo era cruel lá fora e não era permitido errar nesse mundo. Já no mundo imaginário, tinha a chance de ser quem gostaria, poderia errar quantas vezes quisesse, pois nada era permanente. Era tudo faz de conta.

Os anos passariam e ela ainda estaria a brincar com o mundo que não existe, morreria atrás daquela mesa, vendo todos conquistarem o mundo, todos menos ela. Morreria de tristeza, por não ter arriscado, por não ter levantado e ter errado. Os dois mundos finalmente iriam se encontrar, mas seria tarde demais. Definharia-se junto ao seu corpo, ao lado de suas ideias não realizadas.

Olha através da janela de vidro e observa tudo passar por seus olhos e ouve o som de um passarinho cantando, senta-se no chão gelado e começa a chorar como nunca chorou antes. Levanta desesperada, vai a lavanderia e busca incansavelmente por algo pesado. Pega o martelo de uma caixa enferrujada que costumava ser azul e volta para a mesa laranja e bate com tanta força que a mesa se parte. E a cada martelada, escorriam lágrimas de seus olhos. Com cada lágrima, seu coração e mente iam se libertando.

Naquela mesa, sentada, vendo a vida passar por seus olhos, olhava através da janela do seu quarto, ouvindo o vento cantar, o sol bater e queimar. Sentada, via o mundo girar com velocidade máxima, com ânsia de vida. Seu coração batia forte, acelerado, assim como sua mente. Pensava em mil ideias, em mil projetos e […]

Leia mais

escrito por

Escorpiana, 22 anos, estudante de letras, criadora do Garota Turquesa. Deixou seus medos para trás e foi realizar seu sonho. Para me conhecer melhor me siga nas redes sociais @Gabimodolo26



3 abril 2018

Você acredita em destino? Pois eu sim! Nada é por acaso, como poderia ser? Pode parecer loucura, eu sei, mas quero te rever. Para poder sentir mais uma vez a sua pele na minha, seus braços protetores em volta de minha cintura. Pensar em você faz minhas entranhas queimarem de desespero por seu toque. Como dói sua partida.

A vida brincou e foi senhora de nosso destino, quando atraiu nosso encontro inesperado e logo depois forçou-nos a despedida. Lembro-me tão bem quando você foi embora relutante. Era meados de novembro, a noite nos abençoava com seu calor e estrelas. Estávamos abraçados, enamorados, como se fôssemos as únicas pessoas que importavam no mundo, e naquele momento realmente éramos. Você era meu e eu era sua. A rua ao nosso redor era movimentada, mas nossas almas eram tranquilas.

Seus braços eram minha calmaria contra aquela agitação. A rua Augusta nunca fora tão bonita, como fora naquela noite. Sentir sua respiração quente e sua voz rouca em volta de mim, era simplesmente meu paraíso pessoal. Ainda consigo sentir e quase tocar em minha memória quando lembro daquela noite estrelada. Meu coração ainda pula de forma desgovernada ao pensar em você. Sua risada é tão vívida em minha memória.

Seu jeito de ver o mundo simplesmente me encantou. Me senti protegida por você. Nossas mãos unidas, inseparáveis, pareciam que se conheciam a vida toda. O ar de familiaridade de nossos olhares entregava qualquer palavra não dita. Não houve estranheza, mas sim entendimento.

Você acredita em destino? Pois eu sim! Nada é por acaso, como poderia ser? Pode parecer loucura, eu sei, mas quero te rever. Para poder sentir mais uma vez a sua pele na minha, seus braços protetores em volta de minha cintura. Pensar em você faz minhas entranhas queimarem de desespero por seu toque. Como […]

Leia mais

escrito por

Escorpiana, 22 anos, estudante de letras, criadora do Garota Turquesa. Deixou seus medos para trás e foi realizar seu sonho. Para me conhecer melhor me siga nas redes sociais @Gabimodolo26



9 março 2018

Anne se sentou em frente à lareira, delicadamente retirando seus óculos de cima de seu nariz pontudo. Suspirando, pegou sua xícara de chá e sorveu lentamente, olhando as chamas dançando a sua frente, sentindo o calor tomá-la por inteiro. O chalé fora de seu pai, mas passara a ser seu após sua morte. A lembrança de sua última visita a seu pai não passava de flashes, cacos de vidro quebrado que não se encaixavam. Mas lembrava vividamente do aperto em seu coração que sentiu quando o viu pela última vez, a cada passo que dava nos degraus ruidosos que davam para a porta da casa cheia de teias de aranhas enroscadas nas memórias de cada canto escuro. Ela já não era mais criança, mas ainda via monstros e assombros onde não haviam, pois aquele chalé a levava a duvidar de sua própria sanidade. Anne sempre teve a certeza de que a casa não era segura, só não tinha certeza do porquê sentia assim. E quando seus pais se separaram, ela nunca mais voltara. E nunca havia se sentido tão grata quanto no momento em que via o chalé envolto em poeira sufocante desaparecer através vidro do carro.

Por fora, o chalé era simples e despretensioso. Afastado da cidade mais próxima, era preciso pegar uma estrada de terra esburacada por alguns quilômetros para encontrá-lo. Era rodeado por terra, parecia que nada crescia ali, e não tinha uma árvore sequer, a não ser por um pé de carvalho enorme, ligeiramente tombado para o lado, com galhos feios e secos, parecendo dedos de velhas apontando para seus pecados. O chalé era inteiramente feito de pedra, e o frio de seu silêncio engolia cada pessoa que ousava por os pés em seu interior. Seu pai, logo que comprou o chalé, dizia que era um refúgio do mundo moderno, e lhe prometeu um cachorro e vários cavalos, tudo para convencer uma criança de que se mudar do conforto de um apartamento na cidade grande para uma casa no meio do nada era nada menos que uma ideia genial. O cachorro acabara fugindo nos primeiros meses, e a égua que seu pai comprara havia dado cria a um potrinho que não sobrevivera sua primeira noite no mundo. Alguns dias depois, a égua foi encontrada morta embaixo do velho carvalho. Todo mundo ficou abatido, mas quem ficou mais abalado fora o pai de Anne.

Seu pai sempre fora um homem de poucas palavras. Mas nos últimos meses de Anne no chalé, ele se tornara completamente taciturno e melancólico, parando por completo de emitir qualquer som que fosse. Ele permanecia sentado, em sua cadeira de frente para a lareira, olhos vidrados e boca semiaberta. Vez ou outra ela pensava que o havia visto olhar para fora da janela do chalé, lentamente, arregalando os olhos e inclinando o corpo levemente em direção à luz do sol. Anne sempre o aguardava, ansiosa, esperando que seu pai fosse dizer alguma palavra, qualquer coisa, mas ele nada dizia. Ela sabia que ele saía da poltrona à noite, tinha certeza disso, mas ela nunca mais o vira, de fato, fora daquele chalé, sequer daquela poltrona. A casa o havia engolido por inteiro, e nem havia se dado ao trabalho de se livrar do que sobrou. Simplesmente o deixara ali, em silêncio. Destroços na forma do que restou de um homem.

Com o tempo, Anne e sua mãe se distanciaram dele. Seu silêncio consumiu sua família, seu casamento. A separação veio alguns meses depois. Anne voltou para o apartamento na cidade grande com sua mãe, perdendo contato com seu pai quase que por completo, exceto pelos cartões postais que recebia pelo correio. Neles, encontrava sempre uma folha de carvalho seca dentro do envelope, que se despedaçava quando Anne encostava nela, e três letras rabiscadas no canto do cartão postal:

COR

Ela tentara ligar para seu pai diversas vezes para saber se estava bem, se precisava de algo, se sentia sua falta. Mas ele sempre atendia o telefone e permanecia em silêncio. E quando ela criava coragem e dizia que ia visitá-lo, para ele parar de bobeira e voltar para a cidade, para buscar tratamento, que ela o ajudaria com certeza, ele emitia um grunhido sombrio e a ligação ficava muda de repente. Ela podia jurar que ele havia dito a palavra “morte” em sua última ligação. Anne se convencera de que seu pai não a queria por perto, então com o tempo parou de ligar, e sua mente não mais voltava para as lembranças de sua infância naquela casa, quase como se seu corpo a alertasse a não voltar para aquele lugar, seja de corpo ou em pensamento. Mas os cartões apareciam, religiosamente, todo mês.

Mas seu pai falecera – na realidade, ele sumira, e deixara para trás somente uma panela no fogo e um vinco na poltrona. Foram meses de buscas nas redondezas, fazendo buscas em cidades vizinhas, mas ninguém o vira. Com o passar do tempo, a polícia desistiu, chegando à conclusão de que o pai de Anne saíra de casa um dia para fazer uma caminhada (“velhinhos fazem bastante isso, sabe?” foram as palavras do delegado) talvez sofrera um enfarto enquanto caminhava, e caiu morto no rio que passava a uma distância da casa, a água o carregando para longe. Naquela época, Anne estava convencida de que ele voltaria para casa, e foi essa certeza que a fez pegar suas coisas e se mudar para o chalé de seu pai.

Hoje, ela já não tinha mais tanta aquela certeza. Já se passara 5 meses, e nada de seu pai voltar para casa. De repente se conformara com o fato de que ele estava realmente morto em algum lugar e, inconscientemente, Anne já superara a fase de luto. O sol estava se pondo lá fora, e o vento fresco de outono começava a chacoalhar de leve as janelas do chalé, balançando os galhos do carvalho. Anne mudou sua posição na poltrona, virando seu corpo mais em direção à janela, e travou. Olhou fixamente para o carvalho, com seus longos galhos secos. Parecia tão velho, tão imponente, assustador, e também parecia que a árvore a encarava de volta.

De supetão, Anne se levantou e pegou seu cardigã do encosto da poltrona, e saiu apressadamente do chalé em direção à velha árvore. Quanto mais se aproximava da árvore, mais ameaçador parecia, como se estivesse prestes a engoli-la por inteira. O carvalho emitia grunhidos baixos com cada lufada de vento que ia de encontro com seus galhos e com o velho tronco encurvado, a coluna de um homem velho carregando segredos obscuros de anos e anos nas costas, e fazia Anne lembrar das ligações com seu pai. Os pelos de seus braços eriçados, ela parou a alguns metros da árvore. Seu coração gelou.
Ali, entalhado no tronco grosso e descascado do carvalho, estavam as letras:

COR

E, logo abaixo, um rosto destorcido, exalando sofrimento e dor. Os olhos estavam semicerrados e a boca em forma de O, parecia que a árvore era um ser torturado, em constante tormenta. Mas Anne, apesar de não tê-lo visto havia anos, reconheceria aquele rosto em qualquer multidão. Era seu pai, congelado na madeira, o sofrimento era seu, e não do velho carvalho. Ela soltou um soluço, e estendeu a mão lentamente, para tocar naquele rosto que nunca mais veria. Mas tocar na madeira não parecia certo, não estava a acalmando como achou que deveria, e a cada segundo que se passava com sua mão ali, pairando no ar, a meros centímetros do carvalho, o vento se tornara mais forte, levantando poeira e desnorteando Anne, a obrigando a fechar os olhos para se situar. Foi aí que sentiu as mãos em volta de seus braços.

Ela ainda estava de olhos fechados, por medo de abri-los e ser um sonho. Mas ela sentia seu pai ali, com as mãos em volta de seus braços, sorrindo para ela. Até que seu rosto se tornou destorcido e horrendo, e sentia suas mãos apertando seus braços com tanta força, que ela começou a soluçar de dor, tentando fugir. Seu rosto começou a se aproximar do dela. Até que ela sentia seu hálito podre de morte. Tudo ficou silencioso, o vento parou. E a única palavra que ressoava em sua cabeça de forma ensurdecedora fez com que ela entendesse todas os cartões postais mandados por seu pai:

CORRA!

Anne abriu os olhos e olhou para seus braços. Estavam ali, como ela sabia que estariam. As marcas dos dedos de seu pai, vermelhos em volta de seu antebraço. Ela soltou o ar, trêmula, e virou sem olhar para trás. Havia escurecido, não ventava mais. Ela devia ter ouvido seus instintos. Devia ter ficado onde estava, jamais devia ter voltado àquele lugar. Devia ter levado seu pai consigo, tirado ele dali antes que fosse tarde demais. Anne caminhou rapidamente em direção ao chalé, tentando conter as lágrimas, os pêlos de seu pescoço se ouriçando com o frio de início de noite. Ela parou no pé das escadas que davam para a porta, e olhou de relance para trás. Abriu a boca para gritar, mas já era tarde.

A árvore se movera em direção ao chalé, e estava a poucos centímetros de onde Anne havia parado, congelada, incapaz de se mover. Os galhos se retorciam a sua volta, saboreando o medo no ar. Passava as pontas dos galhos secos onde seu pai havia deixado as marcas em seus braços, um alerta, uma súplica na tentativa de salvar sua vida. Enrolou seus galhos em volta do pescoço de Anne, prendendo o ar, e seu grito de socorro. Anne tentou lutar, porém em vão. Tudo ficou escuro.

****
Anoitecera e tudo estava calmo. Nada se ouvia além do vento de outono nos galhos secos da velha árvore. A porta do chalé estava aberta, e era possível ver que a chama da lareira estava prestes a se apagar. Há uma movimentação dentro do chalé, e das sombras sai Anne, arrastando os pés lentamente em direção à lareira, carregando um punhado de galhos secos na mão. Ela os joga no fogo, que cospe pequenas faíscas e volta à vida. Ela se vira e se senta na poltrona, olhando para fora da janela. Ninguém passava na rua de terra esburacada, pois era fora de mão e longe da cidade mais próxima. Mas quem quer que fosse se aventurar perto do velho chalé, veria uma senhora, que provavelmente não falava há muito tempo, sentada olhando para fora da janela. Não havia nada perto do chalé, a não ser por um velho pé de carvalho enorme, ligeiramente tombado para o lado, com galhos feios e secos, parecendo dedos de velhas apontando seus pecados. A senhora encarava a árvore com o que parecia ser terror e angústia. E a árvore a encarava de volta, com aquele rosto entalhado em um grito silencioso, calmamente esperando sua próxima vítima.

Anne se sentou em frente à lareira, delicadamente retirando seus óculos de cima de seu nariz pontudo. Suspirando, pegou sua xícara de chá e sorveu lentamente, olhando as chamas dançando a sua frente, sentindo o calor tomá-la por inteiro. O chalé fora de seu pai, mas passara a ser seu após sua morte. A lembrança […]

Leia mais

escrito por

Geminiana, 25 anos, estudante de Letras e apaixonada por literatura, leva uma vida pseudo-fitness e adora vídeo de animais fofinhos. Dona do canal Portuguese with Ease, adora escrever uma história de suspense nas horas vagas. Para me conhecer melhor siga nas redes sociais @gwydians



2 março 2018

Sentada naquele trem, com cheiro de madeira envelhecida e tabaco, sem saber o que esperar e o que faria quando chegasse ao seu destino: Barcelona. Aquela viagem seria a porta de entrada para a sua nova vida, pois já não era mais uma jovem adolescente. Apesar da idade, seu espírito ansiava por aventuras que não pode fazer na época de meninice. Sentada naquele banco cor de vermelho apagado, pensava nas coisas que a levaram ali, naquele exato momento e todos os obstáculos que teve que superar, pois a vida no passado não tinha sido muito bondosa com ela, mas sua esperança, fé pela vida e o amor à suas filhas a fez superar qualquer obstáculo que a vida lhe impôs. Ela fez questão de comprar seu bilhete ao lado da janela para que pudesse olhar o mundo em sua volta e poder observar todos ao seu redor, com a mais tranquila paz do universo, como uma telespectadora de um filme.

Ali, esperando o trem partir para sua nova aventura, pensava nas outras vidas que tivera e nos caminhos que percorrera. Somente aos cinquenta anos se sentia livre, independente e empoderada. Pensou em seu marido, ou melhor, em seu ex-marido que nada mais era do que um matador de sonhos e vontades. Logo agradeceu aos Deuses por essa época da vida ter passado e por ter aprendido, pois nos erros aprendemos a nos conhecer. Logo seus pensamentos ficaram livres e leves, dentro de instantes sua nova vida iria começar e o trem iria zarpar com uma nova mulher.

Com o movimento do trem, não pôde evitar de pensar em suas filhas e de sentir saudades, mas ela precisava dessa viagem. Em Barcelona iria se reconhecer de novo e reaprender tudo aquilo que queria ser, pois nesses últimos anos ela tinha esquecido de se querer e de se amar. Em Barcelona iria se refazer. Iria sonhar. Se apaixonar por si mesma. E o mais importante: iria ser feliz. O barulho dos trilhos a fazia se sentir ansiosa para chegar ao seu destino. Olhava a paisagem passar através da janela e se encantava com o colorido. Respirava e enchia seu peito de esperança e coragem.

A viagem de trem de Lisboa à Barcelona passou em um piscar de olhos, o sorriso em seu rosto parecia de uma pessoa que acabara de ganhar na loteria, ou que o George Clooney havia sentado ao seu lado a viagem inteira. O sol brilhava, desejando boa fortuna, o tempo andava mais devagar, para que ela pudesse absorver cada segundo e momento ali. A estação de trem era tão clara e branca. Pegou sua mochila cor de caramelo, cheia de fitas dos países que tinha passado, uma de cada cor. A mochila estava tão pesada, que por um momento se arrependeu de ter comprado tantas coisas. Porém o peso de sua mochila foi esquecido rapidamente e finalmente ela se deu conta que chegara a Barcelona. Colocou sua mochila nas costas e foi caminhar para a mais nova aventura de sua nova vida.

Sentada naquele trem, com cheiro de madeira envelhecida e tabaco, sem saber o que esperar e o que faria quando chegasse ao seu destino: Barcelona. Aquela viagem seria a porta de entrada para a sua nova vida, pois já não era mais uma jovem adolescente. Apesar da idade, seu espírito ansiava por aventuras que não […]

Leia mais

escrito por

Escorpiana, 22 anos, estudante de letras, criadora do Garota Turquesa. Deixou seus medos para trás e foi realizar seu sonho. Para me conhecer melhor me siga nas redes sociais @Gabimodolo26





desenvolvido por QRNO