8 maio 2018

Ela olhava para seu jardim de flores mortas do lado de fora da janela, na minúscula sacada de seu apartamento paulistano. Lá fora era mais um dia de frio, como todos os outros do mês de Julho haviam sido. Ela suspeitava que continuaria assim por um bom tempo, o clima em eterna sincronia com seu humor ultimamente.

Achava que as flores haviam morrido por conta do frio, ou talvez porque nunca mais se dera ao trabalho de retirar as folhinhas secas e podar os galhos mortos. Acreditava com todas suas forças que, assim como em sua vida amorosa, ou devido a morte dela, ela havia abandonado por completo aquele pequeno jardim florido, que antes lhe trazia tanta alegria e paz de espírito, pois nele nada mais via além de um coração partido e um sonho que havia evaporado quase tão rapidamente quanto àquele que havia pisoteado seu coração.

Os narcisos dados pelo amor recém findado murchara em questão de meses, e aquele que ela tanto estimara vivia dizendo que era descuido dela, assim como tudo em sua vida. Ele era assim, ela repetia para si mesma. Ela devia ter sido menos ingênua.

Engolia cada golpe sentido por suas palavras, cada farpa que ela confundia com preocupação e amor, mas não passava de fúteis tentativas de moldá-la a ser alguém que ela não era, e jamais seria. Até o dia em que ele fechara a porta, pouco depois que as flores haviam morrido. Quase como se as flores simbolizassem seu relacionamento: aquela flor que, enquanto significa renascimento, também traz infortúnios para aqueles que as tem consigo. E ela jurava que seria incapaz de respirar novamente quando ele partiu, até perceber que o ar a sua volta nunca fora tão gélido e refrescante, e nele poderia não só engolir rajadas claras de ar fresco como também voar com suas próprias asas.

Retirou do armário suas velhas luvas de jardim e sua pazinha descascada. Abriu as portas para a sua humilde sacada, enfrentando aquelas rajadas de ar frio que já não a assustavam mais. Com golpes precisos e delicados, retirou cada ramo e jogou-os em um saco plástico. Cada flor deixada de lado fazia com que sua alma se tornasse mais leve, sua vida renovada. E havia decidido: ali só plantaria girassóis, pois assim como elas, ninguém tiraria dela seu lugar ao sol.

Ela olhava para seu jardim de flores mortas do lado de fora da janela, na minúscula sacada de seu apartamento paulistano. Lá fora era mais um dia de frio, como todos os outros do mês de Julho haviam sido. Ela suspeitava que continuaria assim por um bom tempo, o clima em eterna sincronia com seu humor ultimamente.

Achava que as flores haviam morrido por conta do frio, ou talvez porque nunca mais se dera ao trabalho de retirar as folhinhas secas e podar os galhos mortos. Acreditava com todas suas forças que, assim como em sua vida amorosa, ou devido a morte dela, ela havia abandonado por completo aquele pequeno jardim florido, que antes lhe trazia tanta alegria e paz de espírito, pois nele nada mais via além de um coração partido e um sonho que havia evaporado quase tão rapidamente quanto àquele que havia pisoteado seu coração.

Os narcisos dados pelo amor recém findado murchara em questão de meses, e aquele que ela tanto estimara vivia dizendo que era descuido dela, assim como tudo em sua vida. Ele era assim, ela repetia para si mesma. Ela devia ter sido menos ingênua.

Engolia cada golpe sentido por suas palavras, cada farpa que ela confundia com preocupação e amor, mas não passava de fúteis tentativas de moldá-la a ser alguém que ela não era, e jamais seria. Até o dia em que ele fechara a porta, pouco depois que as flores haviam morrido. Quase como se as flores simbolizassem seu relacionamento: aquela flor que, enquanto significa renascimento, também traz infortúnios para aqueles que as tem consigo. E ela jurava que seria incapaz de respirar novamente quando ele partiu, até perceber que o ar a sua volta nunca fora tão gélido e refrescante, e nele poderia não só engolir rajadas claras de ar fresco como também voar com suas próprias asas.

Retirou do armário suas velhas luvas de jardim e sua pazinha descascada. Abriu as portas para a sua humilde sacada, enfrentando aquelas rajadas de ar frio que já não a assustavam mais. Com golpes precisos e delicados, retirou cada ramo e jogou-os em um saco plástico. Cada flor deixada de lado fazia com que sua alma se tornasse mais leve, sua vida renovada. E havia decidido: ali só plantaria girassóis, pois assim como elas, ninguém tiraria dela seu lugar ao sol.

escrito por

Geminiana, 25 anos, estudante de Letras e apaixonada por literatura, leva uma vida pseudo-fitness e adora vídeo de animais fofinhos. Dona do canal Portuguese with Ease, adora escrever uma história de suspense nas horas vagas. Para me conhecer melhor siga nas redes sociais @gwydians


desenvolvido por QRNO