16 Maio 2018

Como em uma cena de filme, a rajada de vento faz com que a copa das árvores se agite e as delicadas flores caiam lentamente pelo chão. Após um longo tempo caminhando com os olhos fitando o céu matutino, ela finalmente repara na calçada que está andando e à medida que o sorriso vai se abrindo em seus lábios pintados de vermelho sangue, seus passos vão diminuindo.

A calçada antes tão cinza, agora está coberta de pétalas amarelas e roxas, algo que só a primavera poderia proporcionar.

É assim que Florença sabe que seu aniversário está chegando.

Sua mãe costumava dizer que o chão se cobria de flores para ela, que a mãe natureza a achava tão especial, que todos os anos criava um tapete florido só para homenageá-la. Ela sempre acreditou.

Para Florença este era o grande segredo da primavera, ela fazia com que tudo parecesse possível. E era mesmo. Antes dessa estação, ela resistira ao frio e a falta de cor do inverno. Florença detestava o inverno! Só a lembrava de sentimentos ruins. Mas a primavera não. Ah, a primavera… A adorável estação da transição, onde tudo que estava congelado e sem cor pouco a pouco derretia e se coloria. Era um convite a mudanças, e Florença era uma defensora delas. Suas primaveras a transformaram tanto!

Houve uma primavera em que ela aprendeu a fazer com que sua voz fosse ouvida com seriedade; uma outra em que ela se libertou de toda sua timidez e tingiu os lábios com cores ousadas; outras em que descobriu o amor… Existiram também as primaveras que lhe ensinaram a aceitar e superar toda a perda causada pelo inverno. Florença sempre aceitou os ensinamentos e levou o melhor deles.

Mas pela primeira vez ela estava receosa. O frio estava indo embora e o aconchego do sol chegava de mansinho, as flores brotavam e as borboletas batiam as asas pela primeira vez, mas o coração de Florença se recusava a aceitar as transformações.

Outra rajada de vento soprou a resposta que a menina tanto queria.

O cenário era o mesmo, porém, as entrelinhas diziam outra coisa. Porque diferente dos outros anos, as perdas da estação anterior não tinham parado, elas tinham chego a sua primavera como nunca antes, e não davam indícios de que iriam parar tão cedo. O mundo de Florença tinha desabado e ela não tinha controle algum sobre ele, mas precisava ter.

Era como estar na beira de um lago. Você vê seu reflexo na água turva, você vê o mundo que conhece bem atrás de você, e ele está caindo. Você sabe que precisa pular na água e nadar o mais rápido possível para o outro lado, mas você não se move.

Você fica estancada na beira do lago ruindo porque sabe que se pular na água, quando chegar ao outro lado, vai ter mudado. E isso é assustador.

Ao fim de sua passarela florida, outra constatação atinge a menina em cheio. Em seu momento de epifania, Florença se da conta de que sua vigésima primavera nada tinha a ver com mudanças; era sobre renascer! Ela estava se agarrando a coisas que não mais lhe pertenciam, e o vento outra vez lhe sussurrava que era preciso deixar ir.
Ela nunca poderia florescer novamente com folhas secas e mortas presas a ela.

Florença aceitou que era hora de se arriscar e chegar à outra beira do lago.

Na volta para casa, evitou sua calçada florida e foi por uma nova. Ao passo que o sorriso ia se abrindo em seus lábios pintados de vermelho sangue, suas folhas secas e amareladas iam caindo sobre o chão cinzento, formando agora um tapete de pétalas quebradiças. Não era bonito. Mas o caminho não importava, e sim o fim dele, porque lá, Florença renasceria majestosa, como as flores faziam em sua amada primavera.

Como em uma cena de filme, a rajada de vento faz com que a copa das árvores se agite e as delicadas flores caiam lentamente pelo chão. Após um longo tempo caminhando com os olhos fitando o céu matutino, ela finalmente repara na calçada que está andando e à medida que o sorriso vai se […]

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Apenas uma escorpiana de 21 anos tentando se formar em letras, dividindo o tempo entre ir para as festinhas, ler todos os livros e assistir todas as séries possíveis e, entre tudo isso, numa mistura doida, escrever historias que já ouviu, viveu e criou. Para me conhecer melhor me segue nas redes sociais @nannasl



8 Maio 2018

Ela olhava para seu jardim de flores mortas do lado de fora da janela, na minúscula sacada de seu apartamento paulistano. Lá fora era mais um dia de frio, como todos os outros do mês de Julho haviam sido. Ela suspeitava que continuaria assim por um bom tempo, o clima em eterna sincronia com seu humor ultimamente.

Achava que as flores haviam morrido por conta do frio, ou talvez porque nunca mais se dera ao trabalho de retirar as folhinhas secas e podar os galhos mortos. Acreditava com todas suas forças que, assim como em sua vida amorosa, ou devido a morte dela, ela havia abandonado por completo aquele pequeno jardim florido, que antes lhe trazia tanta alegria e paz de espírito, pois nele nada mais via além de um coração partido e um sonho que havia evaporado quase tão rapidamente quanto àquele que havia pisoteado seu coração.

Os narcisos dados pelo amor recém findado murchara em questão de meses, e aquele que ela tanto estimara vivia dizendo que era descuido dela, assim como tudo em sua vida. Ele era assim, ela repetia para si mesma. Ela devia ter sido menos ingênua.

Engolia cada golpe sentido por suas palavras, cada farpa que ela confundia com preocupação e amor, mas não passava de fúteis tentativas de moldá-la a ser alguém que ela não era, e jamais seria. Até o dia em que ele fechara a porta, pouco depois que as flores haviam morrido. Quase como se as flores simbolizassem seu relacionamento: aquela flor que, enquanto significa renascimento, também traz infortúnios para aqueles que as tem consigo. E ela jurava que seria incapaz de respirar novamente quando ele partiu, até perceber que o ar a sua volta nunca fora tão gélido e refrescante, e nele poderia não só engolir rajadas claras de ar fresco como também voar com suas próprias asas.

Retirou do armário suas velhas luvas de jardim e sua pazinha descascada. Abriu as portas para a sua humilde sacada, enfrentando aquelas rajadas de ar frio que já não a assustavam mais. Com golpes precisos e delicados, retirou cada ramo e jogou-os em um saco plástico. Cada flor deixada de lado fazia com que sua alma se tornasse mais leve, sua vida renovada. E havia decidido: ali só plantaria girassóis, pois assim como elas, ninguém tiraria dela seu lugar ao sol.

Ela olhava para seu jardim de flores mortas do lado de fora da janela, na minúscula sacada de seu apartamento paulistano. Lá fora era mais um dia de frio, como todos os outros do mês de Julho haviam sido. Ela suspeitava que continuaria assim por um bom tempo, o clima em eterna sincronia com seu […]

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Geminiana, 25 anos, estudante de Letras e apaixonada por literatura, leva uma vida pseudo-fitness e adora vídeo de animais fofinhos. Dona do canal Portuguese with Ease, adora escrever uma história de suspense nas horas vagas. Para me conhecer melhor siga nas redes sociais @gwydians



20 Abril 2018

Quando em nossas vidas chegamos ao ponto de não sabermos o que fazer ou qual é o melhor caminho para seguir, nos perdemos, ficamos confusos e com medo. Em momentos escuros o medo e a raiva são os nossos melhores amigos, mas não deviam ser.

Ele chegou nesse ponto aos 22 anos. Muitos dizem que era muito jovem para tais sentimentos e angústias, mas ninguém viveu o que ele viveu. Então, não importa o que os outros vão pensar, ou dizer, pois todos já passaram por momentos como esse, mas são hipócritas o suficiente para negar. Bom, minha querida Maria Alice, você deve estar se perguntando o porquê de sua velha tia estar falando essas coisas, para muitos tudo isso são besteiras, mas deixo para você tirar essa conclusão.

Sabe, Maria, a vida é uma loucura, mas ainda não decidi se é a vida ou são pessoas, ou a soma desses dois fatores. Tem algo mais, ela dá voltas e às vezes ela volta para nos cobrar ou nos lembrar de algo que está dentro de nós. Os chamados fantasmas do passado. As pessoas, em sua maioria, e eu me incluo nesse grupo, têm medo desses fantasmas. Por isso, Maria Alice, nunca faça algo que se arrependa mais tarde, sempre siga o seu coração, por mais clichê que esse conselho pareça, para que você não sofra desse mal.
Bom, estava te dizendo que quando você chegar em um momento crucial da sua vida e não souber qual é o caminho a se tomar, pois nós seres humanos somos impacientes e queremos tudo para já, peço que tenha paciência, esperança e fé. Não digo fé no sentido de crer em um Deus, mas fé no sentido de crer em você. Foi o que disse para ele quando tinha apenas 22 anos, mas essa carta não é para o seu querido Tio Fran, e sim para você, minha querida flor. Digo para você a mesma coisa que disse para Fran, que a vida merece ser vivida, independentemente das coisas ruins que nos abatem todos os dias.

Maria, lhe recomendo que viva a vida, mas não seja telespectadora como muitos fazem. Não corra com a vida, pois ela já corre sozinha. Viva a sua vida seguindo a sua consciência, livre de opiniões alheias, mesmo que essas opiniões sejam das pessoas que mais amamos. Aprendi nesses meus 46 anos que nessa vida tudo passa, das coisas mais felizes as mais tristes, então, minha querida, isso que você está passando vai passar. Não sei ao certo quanto tempo vai levar, mas confia que vai passar e depois que todo sentimento se for, você tirará uma conclusão das coisas que viveu, valeu ou não a pena. Só você poderá tirar essa conclusão. Se o resultado for negativo, espero que não fique com raiva de si mesma e entenda tudo que sentiu, para que tais acontecimentos não se repitam.

Espero que depois que tudo passar, você viva a sua viva sob as suas regras e condutas. Seja feliz, para que quando dias sombrios chegarem, você se lembre que a vida merece ser vivida, pois ela é única e permite recomeçar quantas vezes quisermos, e não faz julgamentos. A vida Maria, é o nosso melhor presente. Felizmente ou infelizmente, só temos uma.

Quando em nossas vidas chegamos ao ponto de não sabermos o que fazer ou qual é o melhor caminho para seguir, nos perdemos, ficamos confusos e com medo. Em momentos escuros o medo e a raiva são os nossos melhores amigos, mas não deviam ser. Ele chegou nesse ponto aos 22 anos. Muitos dizem que […]

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Escorpiana, 22 anos, estudante de letras, criadora do Garota Turquesa. Deixou seus medos para trás e foi realizar seu sonho. Para me conhecer melhor me siga nas redes sociais @Gabimodolo26



13 Abril 2018

Com o meu coração apertado, sentia uma angústia incessante entre o estômago e os intestinos. A cada lembrança doía mais. Parecia que tudo ia explodir a qualquer segundo. A lembrança daquela noite fazia com me sentisse única, especial. Fazia-me pensar que todos os Deuses o tinham enviado somente para mim. Era tão surreal e extraordinariamente excitante, mas a lembrança doía e martelava incansavelmente dia a após dia. Aquela noite foi mais que especial, foi singular. Pensar em você no início era engraçado e inesperado, pois nunca imaginaria que justo você, o menino mais improvável, iria pegar meu coração para si.

Meus pensamentos voltavam sempre para aquela mesma noite, repetitivamente, trilhando e examinando cada palavra dita e as que foram ditas somente pelo olhar. Meu coração acelera a cada memória. Como gostaria de poder voltar, pedir para permanecer e dizer em voz alta “Fica mais cinco minutos”, mas esse momento se perdeu. Adoraria poder colocar a culpa na vida, mas seria hipocrisia. Não foi a vida fomos nós. Faltou-nos coragem para verbalizar os sentimentos, vontades e desejos. Simplesmente ficamos quietos, mas nossos corações e corpos não, pois estes, ao contrário de nossa boca, falaram sua própria linguagem. A palavra nos faltou, e nos perdemos devido a sua ausência.

O tempo estava a nosso favor, pois o mundo tinha parado para nós. Para eu ser mulher e você homem. Fomos devotos um ao outro. Criamos um mundo paralelo naquela cama. Sendo eu, você e nosso tempo juntos, os habitantes. Nossa cumplicidade se entrelaçou junto aos lençóis bagunçados. Não tive medo ou vergonha de te dizer meus segredos, de te mostrar meu corpo e meu rosto sem enfeites. Quis ser sua. Decorei seu corpo e cada parte dele em minha memória. Cada pinta sua formava uma constelação em minha mente. Nossos cabelos desgrenhados nos davam um ar de familiaridade. Naquela noite eu fui sua e você foi meu, e a vida fez sentido pela primeira vez depois de um longo tempo.
Quis nunca levantar daquela cama e partir. Quando decidia ir, você me abraçava e me impedia, pedindo-me para ficar ao seu lado. Meu coração assentiu em satisfação a cada palavra sua, pois tudo parecia certo. A cada sorriso compartilhado, sentia vontade de nunca sair daquele quarto escuro. Gostaria de ter tido coragem para dizer meus verdadeiros sentimentos, mas não fui capaz. Simplesmente me calei.

Porém, o mundo lá fora nos chamou e pediu para que voltássemos. Despertamos e levantamos, deixando para trás as confidências, os abraços aconchegantes, a paixão. A cumplicidade se perdeu e virou indiferença. Tudo passou tão rápido, as horas se tornaram segundos ao seu lado, e o que permaneceu comigo foram somente lembranças, seu cheiro, sua risada, suas brincadeiras, e seus olhos semicerrados, de um verdadeiro amante. Meu coração se aperta cada vez mais, e ele me pede por você a cada dia, mas nego, pois, quando deixamos o nosso mundo secreto nossas realidades voltaram. A intimidade foi a primeira a ir embora.

Sempre que lembro daquela noite, quero voltar. Quero correr ao seu encontro, e te abraçar, pois você tem o abraço do tipo casa. Meu corpo pede e minha alma também, porém meu orgulho me impede, pois, a partir do momento em que aquela noite chegou ao fim, algo em você também mudou. Com os meus próprios olhos, vi nascer em você a indiferença. A confiança que sentia sumiu, e a rejeição surgiu. Tudo mudou com um piscar de olhos, e foi assim que te perdi, para os teus medos. Agora, nessa noite, só consigo pensar no contorno de seus lábios e de sua barba roçando em meu corpo, porém, essa memória não passa de uma lembrança. Uma lembrança saudosa. Uma lembrança com gosto de nostalgia.

Com o meu coração apertado, sentia uma angústia incessante entre o estômago e os intestinos. A cada lembrança doía mais. Parecia que tudo ia explodir a qualquer segundo. A lembrança daquela noite fazia com me sentisse única, especial. Fazia-me pensar que todos os Deuses o tinham enviado somente para mim. Era tão surreal e extraordinariamente […]

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Escorpiana, 22 anos, estudante de letras, criadora do Garota Turquesa. Deixou seus medos para trás e foi realizar seu sonho. Para me conhecer melhor me siga nas redes sociais @Gabimodolo26



11 Abril 2018

Só mais cinco minutos. Preciso de seu calor. Do seu abraço hospitaleiro, que não me deixa seguir. Que me impede de levantar, e fugir. Meu coração se aquieta ao seu lado. Sua calmaria me faz bem. Já te disseram que você tem uma energia boa, que cativa. A serenidade que percorre os lençóis emaranhados, só me fazem ter certeza de que sou sua.

Não tem porque partir, o sol ainda não nasceu. Deite aqui, volte a se perder comigo, se perca em mim. Não deixe que a calidez dos lençóis se esvaeça e se torne calmaria. Neste mundo somos somente eu e você, não há nada que nos espere lá fora e não há espaço para mais ninguém, esse emaranhado é só nosso, esse infinito é só meu.

Existe um mundo inteiro a ser descoberto em seu olhar. Volta, deixe-me desvendar seu cheiro, uma nota de cada vez. Sua voz me acalma, me segura no lugar. Só mais um minuto. Com um simples olhar, um suspiro que me toma por inteira, detalhando minuciosamente cada parte do meu corpo. Com um simples suspiro, sinto sua energia me cativando.

A cumplicidade renasceu em seus braços, os temores antigos partiram. Meu corpo tem um encaixe perfeito em seu peito, nossas mãos se entrelaçam, se tornam intimas e desfrutam, de nossas almas. O tempo para, mas passa em segundos. Um presente paradoxal das noites quentes, feita para os amantes poderem brindar e brincar. Sua respiração acelerada faz com que meu corpo queime, te desejando incansavelmente e desesperadamente. Fica, não vá.

Temos a vida inteira para decidirmos em quais papeis queremos atuar, aqui nesse quarto escuro só existe o universo de intimidade que nós criamos. Não deixe que o pensamento infortuno atrapalhe a nossa aventura. Não vá embora. Não me deixe partir, me pegue em seus braços e me guie de volta para o nosso mundo. Não tenha medo de falar. Diga que quer que eu fique, não deixe as dúvidas separem os nossos corpos.

Com o uivar do vento lá fora, sua decisão de partir sai sozinha pela porta, enquanto seus dedos acariciam meu cabelo, e me deixa inquieta. Com um olhar fraco e respiração entrecortada, você sabe que sua sanidade se perderá em meus braços. Só basta um olhar para saber que é aqui que quero ficar. Sua alma me convida para passar a noite. Seria prudente respirar o ar lá fora, no entanto é em seus pulmões que vejo o mistério que anseio descobrir. Que me nutre, me acalma, venha e seja meu ar. Me guie nesse desalinhado de corpos em nossa cama, me ensine a amar. Fica, se acomode, e acabe com o caos que é a minha mente quando está distante de mim.

Não vá, quero que essas palavras sejam as últimas que saem de minha boca. Quero que cale meus pensamentos com seus lábios. Te quero que mal consigo respirar. Meu corpo fala por si só. Venha ser meu, nem que seja por uma noite. Quero sentir suas mãos em volta de meu corpo, me segurando com toda vontade do mundo, quero ser mulher mais uma vez e quero que você seja o homem.

Só mais cinco minutos. Preciso de seu calor. Do seu abraço hospitaleiro, que não me deixa seguir. Que me impede de levantar, e fugir. Meu coração se aquieta ao seu lado. Sua calmaria me faz bem. Já te disseram que você tem uma energia boa, que cativa. A serenidade que percorre os lençóis emaranhados, só […]

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Escrito por: Gabriela Modolo e Gwydian Verissimo





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